

Eu e Ashley Madison
Hoje decidi ficar em casa. Foi exatamente o que decidi: desacelerar. Dormi até mais tarde, levantei sem pressa da minha cama de solteiro e resolvi que meu café da manhã seria um bolo fresco de laranja acompanhado de um bom café.
Passei o dia tranquilo, lendo, tomando suco, e comendo torta salgada. Já no fim da tarde, resolvi abrir uma cerveja de trigo, cortar uma calabresa e liguei a Netflix. Acabei encontrando o documentário sobre o site Ashley Madison — aquela plataforma voltada para pessoas que queriam trair seus cônjuges e ter casos extraconjugais, e que teve todos os seus dados vazados lá em 2015. Assistindo àquilo tudo, parei para refletir comigo mesmo. Vi o quanto é bom e valioso ser honesto — e, acima de tudo, honesto com a gente mesmo. Cedo na vida eu entendi que queria ficar solteiro e sem filhos, que a vida de casado e a paternidade simplesmente não eram para mim. Decidi seguir por esse caminho e me sinto muito feliz com essa escolha. Feliz porque sei exatamente quem sou. Se, por hipótese, eu tivesse feito um cadastro naquele site e meu nome aparecesse na lista — estivesse eu morando no Canadá, na Europa, nos Estados Unidos ou em qualquer outro lugar —, e alguém me dissesse: “Olha só, seu nome tá no Ashley Madison”, eu simplesmente diria: “Está? E daí? Qual é o problema? Eu sou solteiro.” Hoje sei que, se eu fosse casado, seria um casado completo: extremamente caseiro e totalmente fiel. Mas sou solteiro e vivo essa vida de solteiro com plenitude. No final das contas, a gente muitas vezes não consegue ser honesto com os outros porque não consegue ser honesto com a gente mesmo. E hoje tomo mais uma taça de cerveja em homenagem a isso: ao fato de que eu nunca tentei enganar o espelho.
Aleen Van Euller
Enviado por Aleen Van Euller em 26/07/2026
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