

O Homem Frio 2 - Sem Internet
O Homem Frio caminhou até o sujeito amarrado ao chão e removeu-lhe a mordaça.
— Então... aquela vagabunda da sua namorada, que agencia as moças para os abusadores que pagam por elas, teve uma morte rápida porque eu honro os meus acordos — disse ele, com tom calmo e gélido. — Falei pra ela que, se me revelasse onde estavam os arquivos, teria uma morte rápida. Foi o que ela ganhou. Está bem estiradinha no tapete do quarto dela. O mafioso no chão o encarou com os olhos faiscando de ódio. O Homem Frio continuou: — Antes de eu te fazer um pedido educado, vou dar um jeito nesse seu filhinho aqui, que estava abusando da garota no quarto. É assim que vocês fazem, não é? A moça é sequestrada, o garoto usa à vontade, depois ela é levada para a prostituição e, com o tempo, tem os órgãos retirados para serem vendidos. É isso mesmo? Bom... fique olhando. Ele fez uma breve pausa, observando a feição do homem, e completou: — Ele não é filho daquela vagabunda lá em cima, é? Uma pena. Talvez eu a tivesse deixado viva se fosse a mãe dele, só para ver, junto com você, o destino do filho. A mãe dele morreu? É chefe de prostíbulo em Moscou? Bem... vejo isso depois. O Homem Frio voltou-se para o jovem, igualmente amarrado e amordaçado no chão. Diferente dos outros, aquele tinha desmaiado na porrada. Ele pegou um recipiente e jogou água direto na cara do rapaz. — Acorda, moleque! O jovem despertou num sobressalto de raiva, mas o furor foi instantaneamente engolido pelo pavor ao encarar a figura à sua frente. — Você se divertiu... se divertiu muito com a moça, não foi? — indagou o Homem Frio. — Bem, entenda que sou desses homens antigos que acreditam que a honra se lava com sangue. Portanto, tenho que derramar o seu para lavar a honra dela. Na verdade, vou derramar o sangue de todos aqui. Mas, para que tudo saia perfeitamente bem, preciso te deixar ciente de uma coisa: quando alguém leva facadas na região do aparelho digestivo, a morte é bem mais dolorida e demora muito mais para passar. O problema é que não sai só sangue... pode ser que saia bosta também. E de bosta já basta você. Ele sacou a lâmina. — Então, para evitar essa sujeira toda, vou direto ao seu tórax. Vou perfurar seus pulmões e o seu coração. Você vai sentir o ar lhe faltar enquanto afunda no próprio sangue, e morrerá da hemorragia em questão de instantes. Seu pai está assistindo. O chefe mafioso se contorcia no chão, possesso de raiva, sem conseguir emitir um som através do pano na boca. — Agora você pode imaginar como se sentiu o pai dessa moça — disse o Homem Frio, encarando o pai do garoto. — Sem saber o que estavam fazendo com a filha dele, mas imaginando... e sem poder fazer nada. Ele, pelo menos, não teve que ver. Bem, eu não vou estuprar o seu filho, mas o peito dele vai sofrer. Com uma força impressionante, a técnica de quem conhece a anatomia e uma lâmina para lá de afiada, o Homem Frio angulou a faca com precisão cirúrgica entre as costelas do rapaz. Desferiu uma sucessão de perfurações profundas e violentas no tórax, rasgando o peito do moleque e atingindo em cheio os pulmões e a estrutura do coração. O sangue jorrou espesso aos borbotões, tingindo o piso. O rapaz entrou em colapso respiratório imediato; a árvore brônquica tomou-se de sangue e ele começou a golfar e expelir grandes quantidades de sangue pela boca e pelo nariz, sufocando num estertor desesperado contra a mordaça. Em poucos segundos, a vida do jovem se esvaiu totalmente, ensopando o tapete do quarto. Ao redor, os outros três homens começaram a emitir gemidos abafados, despertando à medida que o efeito do sedativo passava. O Homem Frio virou-se novamente para o líder: — Como foi a sensação? Ele se aproximou e pegou um notebook sobre a mesa. — Aqui está o seu computador. A vagabunda me falou onde estava. Disse que ele é totalmente desconectado da internet e que você mandou tirar a placa de rede dele. Eu vou descobrir a senha de qualquer jeito e entregarei ao chefe do pai da garota. É um homem muito rico e pragmático, que dá muito valor aos seus funcionários; ele vai saber o que fazer. Acho que é até melhor você morrer agora, já que seus colegas da Rússia não perdoam falhas como essa, não é? Mas enfim... se me disser a senha agora, te dou um tiro na cabeça e você não vai sentir o fogo consumindo seu corpo como o dos seus capangas aqui. Se não disser, vai torrar junto com eles. O que me diz? Ah, é... você está amordaçado. Ele puxou o pano da boca do mafioso. — Seu filho de uma vagabunda! — cuspiu o homem, espumando de ódio. — Sabe o que vai te acontecer?! Sabe com quem você mexeu?! Você é um homem morto! — E então? Vai cooperar ou não? — Eu vou matar você e sua família, seu desgraçado! Meus parentes, meus irmãos da nossa família... — Você quer dizer máfia? Família criminosa? — interrompeu o Homem Frio, impassível. — Bom, você não vai dizer. Vou tapar a sua boca de novo. — Espera, maldito! — o mafioso bradou, rendendo-se. Sabia exatamente qual era o seu destino e, diante do inevitável, escolheu o caminho menos doloroso. Ele ditou a senha. O Homem Frio digitou-a no notebook e a tela se desbloqueou. — Muito bem. Muito obrigado. Bem... palavra é palavra. POW. Um tiro seco ecoou. O chefe mafioso tombou, cessando a respiração instantaneamente. Ao se levantar, o Homem Frio caminhou até os outros três homens, que o encaravam com olhos clouds de horror enquanto tentavam se mover. — Quero que saibam que seus colegas espalhados pela floresta para guarnecer este local foram todos mortos, um por um. E vocês agora vão saber como é ser assado no fogo, como num espeto. Vocês juram lealdade a essa máfia, se acham fortes por servir a essa nojeira toda, não é? Pois terão agora a sua recompensa. Diferente do seu chefe, não deixarei vocês falarem. Não deixarei que supliquem por suas vidas, nem que digam que não têm medo da morte ou que seus espíritos vão me perseguir. Não me importo com pedidos de piedade nem com pragas. Mas sei que vocês querem falar... e isso lhes será negado. O Homem Frio deu as costas e saiu da luxuosa cabana de madeira. Drenou o combustível dos veículos dos mafiosos e o espalhou metodicamente por toda a estrutura. As belas paredes de madeira absorveram o líquido rapidamente. Ele acendeu o fogo e recuou. Em questão de minutos, um incêndio voraz tomou conta da casa. O ruído do crepitar das chamas abafava quase por completo os urros desesperados e mudos dos três capangas presos lá dentro. Quando a coluna de fumaça tornou-se densa o suficiente para indicar que a polícia logo seria acionada, ele se retirou em silêncio. Caminhou a passos firmes pela vegetação até alcançar o local onde o furgão estava camuflado. Naquela parte da floresta, sob a penumbra, o domínio era dele. Aproximou-se do veículo e bateu levemente na lataria: — Querida, sou eu. Não se preocupe. Ele destrancou a porta traseira. A moça estava sentada sobre o colchão. Havia bebido água, mas a comida continuava intacta. O Homem Frio entrou, fechou a porta e sentou-se no chão, à frente dela. — Eu sei que não posso imaginar o que você passou e o que ainda iria passar — disse ele, encarando-a com brandura. — Mas saiba que derramei com gosto o sangue deles. Eles pagaram pelo que fizeram com você, e outros ainda vão pagar. A moça sentiu um leve remorso inicial por se regozijar com a morte de alguém, mas a culpa evaporou rapidamente. Um tímido e aliviado sorriso surgiu em seu rosto. — Olha só — disse ele, apontando. — Está vendo essa cortina aqui? Vou passar para o banco do motorista e vamos começar a nos movimentar. Vamos sair daqui e pegar a estrada. Vou fechar a cortina para que você possa se trocar, se quiser. Ali tem roupas limpas. Seu pai me deu as suas medidas e o chefe dele me arranjou algumas peças da filha dele... me parece que ela é sua amiga. Naquele galão tem água limpa. Não vai ser um banho, mas vai servir. A moça finalmente respondeu, com a voz mais firme: — Eu estou bem. Quero ir na frente, com você. — Você tem certeza? — Tenho. — E se formos interpelados pela polícia? — Você é meu tio e está me levando para casa. Imagino que tenha o telefone do meu pai e do Sr. Clifford. É o Sr. Clifford quem mandou você, não é? Meu pai não teria dinheiro para pagar por isso. O Homem Frio assentiu levemente. — Muito bem. Mas pelo menos lave o rosto, enxugue as lágrimas e ajeite o cabelo. Ele esperou pacientemente até que ela estivesse pronta e acomodada no banco do passageiro. Ligou o motor e conduziu o furgão calmamente para fora da mata, acessando a estrada principal. À distância, já era possível ouvir as sirenes e avistar viaturas e um carro de bombeiros acelerando na direção oposta. Pelo espelho retrovisor, uma grande coluna de fogo e fumaça erguia-se sobre a copa das árvores. Era hora de levar a jovem de volta para casa. E hora de entregar informações valiosas nas mãos do Sr. Clifford — um homem bom, mas nem um pouco bonzinho; pragmático, poderoso e bilionário.
Aleen Van Euller
Enviado por Aleen Van Euller em 21/07/2026
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