Homem Frio

Café sem açúcar, sangue com gelo.

Textos

Peregrino das Tardes
Meu sábado de solteiro começou ainda na noite de sexta-feira.
Não havia qualquer necessidade urgente, mas resolvi dar um grau em casa.
A organização já faz parte dela, assim como a limpeza; talvez porque ambas façam parte de mim.
Ainda assim, há um prazer discreto em reorganizar o que já está em ordem, em renovar o cuidado com aquilo que nos é confortável.
Enquanto transitava entre um cômodo e outro, bebi água com gás e limão.
Noite adentro, vi minha série preferida, cuja figura central é um solteirão convicto e suas aventuras, não sei porque, me identifico. Entre um episódio e outro, a madrugada foi chegando sem pedir licença.
Quando percebi, dormi no sofá.
Acordei já com o sol raiando. Fui para a cama, onde concluí o sono, eu despertei mais tarde.
Me arrumei e saí para almoçar.
Pedi costelas de peixe, e cerveja.
Não se tratava de uma ocasião especial; era apenas um daqueles pequenos rituais que tornam um dia comum um pouco mais agradável.
Voltei para casa com o coração sereno.
Não que estivesse agitado antes, mas havia em mim uma suavidade adicional, dessas que surgem sem motivo aparente e que, justamente por isso, são mais bem-vindas.
Cheguei...
Banho, jantar, escova de dente, e fui dormir cedo. Horas depois, despertei já passada à meia-noite.
Como acontece em certas noites, o relógio seguia seu curso, mas o corpo tava acordado e relaxado. Resolvi então preparar uma refeição: salmão, salada de aspargos, palmito e ovos de codorna. Dessa vez, só uma taça de água.
Depois, permaneci algum tempo diante da janela. Observei a noite e seus silêncios, e o sono não vinha.
Em vez de insistir em sua chegada, aceitei sua ausência e fui ler.
A leitura foi acompanhada por uma xícara de chá gourmet que mantenho em casa para ocasiões assim: momentos em que as altas horas são mais convidativas que a cama.
Dessa maneira, me preparei para acordar mais tarde também no domingo, quando ainda decidiria o que fazer do dia.
Talvez começar outro livro, ando querendo ler novamente sobre um peregrino solitário das estrelas.
Aleen Van Euller
Enviado por Aleen Van Euller em 05/06/2026
Alterado em 05/06/2026
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