Homem Frio

Café sem açúcar, sangue com gelo.

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O Tio Solteiro XXXI - Meu Altar de Sal e Silêncio
O Altar de Sal e Silêncio
​Recolho-me ao meu templo de águas, onde o trabalho do mundo fenece. O banquete é frugal: a leveza do fruto, o néctar natural e a promessa da água que, até a aurora, será minha única e graciosa comunhão. Desconectado das redes humanas, meu selo digital silencia; o pulsar que me guia agora é o da energia que flui do meu próprio ser, um rio interno que deságua no mar.
​Diante do espelho, demorei-me. Não por vaidade, mas por reconhecimento: vi ali um náufrago que encontrou o continente em si mesmo. Apaguei a eletricidade profana para que a magia interior rompesse o breu. Lá fora, a Lua comanda o brilho verdadeiro; as estrelas são princesas vestidas de nuvens leves, como nervos de EVA a observar minha sensibilidade oculta.
​As fadas me desejam e os magos reivindicam minha herança, mas nego-lhes a posse. Minha música não possui forma; ela é o som do vácuo preenchido por minha existência. Ao sacrificar o coração sobre o altar da Solitude, vi-o ressuscitar: um soberano fiel apenas à própria imensidão. Eu existo, e no mar desse ser, isso me basta.
Aleen Van Euller
Enviado por Aleen Van Euller em 14/04/2026
Alterado em 14/04/2026
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