

O Tio Solteiro XXX - O Alambique da Solitude
A alquimia não reside em fórmulas espúrias, mas no usufruto da própria companhia. Iniciei meu rito com a fleuma de uma cerveja sorvida sem pressa, escoltada por um espeto cujas liras de gordura nitidavam sob o tempero exato. No Empório, o apetite transmudou-se em salmão e especiarias; em casa, o sorvete de flocos selou a celebração da Essência das Sensações.
Meu refúgio é um cenário de magia elemental. Sob a luminescência de abajures com grafismos celtas e o brilho da minha árvore tenebrosa, contemplo telas de pigmentos vívidos. Minha cama, embora de solteiro, possui a amplitude de um leito nupcial — um território vasto onde me volvo em diferentes ângulos, não por insônia, mas para conformar a satisfação inefável de ser monarca do meu espaço. O repouso é efêmero. Se as estrelas se acaçapam em meus sonhos como sibilas vestidas de nervos e orvalho, a homeostase e o autocuidado me despertam. Ergo-me na noite profunda para perscrutar a luz áurea que banha meu santuário. Ao crepúsculo matutino, o rito se renova: o capuccino ebúrneo, o bolo de milho preservado e uma tigela de chuva. Sigo os ciclos imerso em meus próprios arcanos, perlustrando essa floresta de solitude onde cada fruto e cada flor são mistérios que não pretendo decifrar, apenas fruir. Sou o alquimista e a própria quintessência.
Aleen Van Euller
Enviado por Aleen Van Euller em 13/04/2026
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