Homem Frio

Café sem açúcar, sangue com gelo.

Textos

O Farol de Neon
Desde que passei por aquele lugar que não sei se era uma mesa de cirurgia ou uma oficina... Talvez sejam os dois. Eu tive um longo caminho até me adaptar a órgãos e sentimentos de metal, felizmente, quando fui atropelado em cheio por aquele ônibus, quem pagou para isso acontecer, não queria minha morte, queria minha vida.
Sem esposa nem filhos, pais ou irmãos, para atrapalhar minha transição com crises humanas, eu era a cobaia perfeita, e agora sou o ciborgue perfeito, ou seja, um ciborgue comum, o mais comum de todos, o primeiro.
A partir de mim, novos ciborgues "nasceram", por assim dizer, mais cirurgias, mais partes metálicas de titânio concentrado em corpos humanos vivos e mutilados, homens, mulheres, a guerra forneceu muitos, e esses muitos decidiram a guerra.
O trabalho de médicos cirurgiões e engenheiros cibernéticos suplantou as decisões dos presidentes e seus generais, almirantes e brigadeiros, e seus congressos e tribunais tiveram que ser resilientes; as agências de inteligência se fundiram rapidamente à nova realidade.
O governo paralelo, e mais poderoso, das megacorporações havia começado, e homens e mulheres geniais mataram pelas cadeiras de presidentes dessas empresas.
Hoje, pelo que sei, outros como eu são feitos, produzidos, criados... Sei lá...
O país pioneiro em nos criar, que integrava a aliança que venceu a guerra, vendeu a tecnologia de primeira geração que me criou por bilhões e, claro... Guardou a tecnologia mais avançada para si; sinceramente, não sei onde vão parar.
Porém, eles precisam de algo, da gema que meu principal criador, o Dr. Dhaniel Cling, sutil e genialmente, implantou em mim, sem ninguém saber; o segredo morreu com ele, mas viveu comigo, e vive ainda.
Eles precisam disso, dessa fórmula, para unir a carne ao metal em definitivo.
Já eu...
Considerei o que disseram ser um prêmio por ser primeiro: ser o faroleiro da Ilha Solstício, isolada, no meio do Pacífico, projetando sua luz verde-neon para navios cargueiros transportando terras raras.
Não passam há dez anos.
Aleen Van Euller
Enviado por Aleen Van Euller em 05/04/2026
Alterado em 05/04/2026
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