Homem Frio

Café sem açúcar, sangue com gelo.

Textos

O Tio Solteiro XXV - A Fada
​


Vou viver dias tranquilos, desfrutar de noites amenas; a solidão me seduziu como uma fada de muitas belezas, que muda ao sabor das estações. Às vezes tem fogo nos cabelos, que podem escurecer com a noite; olhos que refletem o verde das folhas, o azul do céu, o castanho do mel e o negro noturno; sua pele vai do marfim ao ébano.
​Ela me abraça como um espírito formoso no silêncio das tardes quentes, recolhendo suas asas transparentes; e, no frio, surge como a mais bela das salamandras em minha lareira.
​Sou um eremita das montanhas vestindo um manto pardo; nas alturas da noite posso tocar as estrelas. Conheço o sânscrito dos grimórios e seus símbolos alquímicos, que guardam o segredo da magia. Já não sinto saudade nem falta; como a ambrosia que flui das árvores raras, bebo da água da chuva prateada que cai nos vasos de pedra de origem desconhecida, e banho-me no orvalho que cai das folhas das trepadeiras em meu pergolado rústico, em noites de invocação dos elementais.
Ao contemplar o abismo do vazio,
Meu universo nasce em plena expansão;
Da explosão silenciosa que tudo criou,
E cujo som ecoou em meu coração.
Aleen Van Euller
Enviado por Aleen Van Euller em 28/03/2026
Alterado em 28/03/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras