

O Tio Solteiro XX - Pequenas Coisas
Despertei quando a manhã já estava alta, permitindo que o tempo corresse sem a tirania dos alarmes. Iniciei meu culto particular no espelho: a escova, o hálito fresco do enxaguante e o cuidado meticuloso.
Na cozinha, o aroma do café recém-passado selou o pacto com o novo dia. Preparei um sanduíche com arquitetura de sabor: camadas generosas de queijo, mortadela de peru e o toque audaz de um molho picante que despertou os sentidos. Para finalizar a primeira nota dessa sinfonia, uma fatia de pudim, tudo isso não chegou a encher totalmente o estômago, mas foi o suficiente para confortar o corpo antes da leitura. Mergulhei em letras e terminei um livro, sentindo a magia da literatura de fantasia fechar-se em minhas mãos. Decidi que o almoço seria um evento urbano. Vesti-me com a elegância do pragmatismo: uma camiseta cavada de marca impecável, realçando o bem estar nos movimentos, bermuda jeans e sapatos mocassim que pisam com segurança. O último e mais sutil ato de distinção: apliquei um perfume de madeira nobre. Suave ao prazer das sensações, seu aroma evocava o cheiro das essências raras nas praias de água doce nas florestas temperadas— uma fragrância que não grita, mas que marca presença com a força silenciosa da natureza. No pulso, o relógio marcava não apenas as horas, mas o meu compasso. Com o celular carregado e o suporte de um carregador portátil no bolso, chamei um veículo por aplicativo — a prudência de quem sabe que o cervejinha e a direção não devem andar juntos. No shopping, o paladar foi o guia. Um hambúrguer de carne pura, no ponto exato da suculência, acompanhado de batatas douradas e o frescor de um refrigerante. Como sobremesa, um sorvete que derreteu a pressa do mundo. Com o ingresso do cinema em mãos, intercalei o prazer com a saúde, bebendo água com gás lentamente; afinal, a hidratação é a base da clareza. O filme foi uma imersão de excelência, e a saída, um passeio pelas vitrines da própria identidade, comprei uma sandália de couro. Ao chegar em casa, uma xícara de chá, e o pôr do sol.
Aleen Van Euller
Enviado por Aleen Van Euller em 22/03/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|