

O Gato-de-Pallas VI - Xandra
Perto do meu refúgio tem uma cidadezinha, com um PUB, o Anjo do Deserto. Fui lá umas vezes beber cerveja, ouvir uma banda da região, os Anjos da Areia, eles tocam um som legal. Uma garçonete indígena, Xandra, sempre me atendia, gente boa, ela conversava comigo, e eu monossilábico, mas ela não ligava. Uma noite o show terminou tarde, as pessoas começaram a ir embora logo após, ela se aproximou, disse ter notado que eu ia no mesmo rumo dela, se podia dar carona até perto de sua casa, a agência me deu uma Leopardo, eu disse tudo bem. Comprei outra cerveja, ela não queria cobrar, eu insisti, fui para fora, encostei na moto, e esperei. Ela saiu trinta minutos depois pedindo desculpas, sem problema, dei o capacete a ela, usei os óculos. Sua casa não era longe, ela insistiu para eu entrar, entrei, bebemos, ela me beijou, transamos, foi estranho, a cadela dela estava dentro da cabana, depois entendi o porquê, mas a bichinha se virou para não ver. De madrugada ela rosnou, e os meus sentidos ligaram, uma energia estranha, Xandra disse que era só ficar na casa, que tudo bem. Não tive tanta certeza. Percebi um rugido baixo, porém forte, poderoso, a moto tinha câmera articulada, acessei meu celular, que porra era aquela?! Um lobisomem, nunca acreditei, e o maldito tava lá! Começou a esmurrar a porta, a cabana era de madeira sólida, aguentou. Vi na mão dela uma faca antiga, um símbolo Hopi na lâmina, eu conheço, poucos conhecem. Ela falou que desde criança, sabia que ia morrer fincando aquilo no coração dele, era o único jeito. Pedi a faca, ela não acreditou, disse que não sou comum, não tinha tempo de explicar. Ela confiou. Quebrei um cabo de vassoura, amarrei a faca na ponta, uma lança. Liguei a moto a distância, o bicho foi nela, abri a porta, ele se virou, olhou, e avançou, arremessei a lança. Xandra saiu, viu o corpo, era humano agora, eu reconheci, de um livro de história! Ela rezou aos espíritos, pediu ajuda pra enterrar, pediu segredo, eu assenti, ela disse obrigada. Dias depois voltei ao PUB, Xandra tinha ido embora.
Aleen Van Euller
Enviado por Aleen Van Euller em 26/01/2026
Alterado em 26/01/2026 Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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