Homem Frio

Café sem açúcar, sangue com gelo.

Textos

O Gato-de-Pallas IV - Luzes ao Longe




Aqui é um antigo refúgio anti-nuclear construído nessa montanha, era uma instalação estratégica para comandos militares, acabada a Guerra Fria, assim como outras, foi lacrado por contenção de despesas.
A empresa comprou, e propôs que eu viesse para cá, para aprender na prática, a operar esses equipamentos aqui instalados, e para a probabilidade de usarem cavernas como instalações em outros planetas.
Eu gostei.
Como sempre, eu quis vir sozinho, com um dispositivo de GPS que aceitei trazer.
Eu prefiro viajar à noite pelas areias, com pés felinos.
Parei de manhã em uma loca, para comer e descansar, chegaria ao abrigo na próxima noite, quase pegando no sono, ouvi um motor, eu me virei com cuidado, olhei por cima da pedra, um veículo militar reformado, dirigido por um cara forte, de óculos escuros, ele parou junto as rochas.
Saiu, abriu a porta de trás, vi uma moça amarrada e amordaçada, ele a tirou, e colocou no chão sob a sombra, trouxe esquipamentos digitais de imagem e som, montou e ligou, pegou uma pá e largou a alguns metros.
Ela estava chorando esgotada, ele se recostou no carro, e acendeu um charuto, ouvi ele dizer, que ela seria a sétima, por isso seria especial, colocou o charuto no capô, pegou um canivete automático, e disse que não ia corta-la, só as roupas dela, acertei três tiros nele, caiu pesado.
Eu saí das sombras, disse pra ela ter calma, não ia lhe fazer mal, fui até ele, perguntei se tinha feito isso outras vezes, disse que sim, outras moças tinham dado a vida pela arte, morreram com sua semente para a eternidade, que ele era um artista.
Atirei entre suas pernas, morreu sangrando, libertei a moça, ela me abraçou.
Desliguei tudo, joguei no banco de trás, dei a chave a ela, depois água e um sanduíche, ela comeu e descansou, segundo ela, o cara era policial naquela região, eu disse pra ela dirigir até a capital, não era longe, mostrei como usar a arma dele.
Na hora de ir, ela me surpreendeu com um beijo na boca, e partiu.
Também tive que ir, já aqui, com meu binóculo, vejo longe as luzes da polícia.



Aleen Van Euller
Enviado por Aleen Van Euller em 25/01/2026
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