Homem Frio

Café sem açúcar, sangue com gelo.

Textos

O Elevador da Eternidade



A alma abriu os olhos numa imensidão branca, estava deitada no chão que não era duro, nem macio, olhou, e a curta distância viu o que parecia ser um recepcionista, em um elegante uniforme azul.
Mais por instinto, que por vontade, ela foi até a mesa.

-Com licença...

-Olá, o elevador é logo ali.

Então a alma olhou, e viu um elevador prateado.

-Pode me dizer para onde esse elevador leva, e porque estou sem roupas?

-O elevador sobe, ou desce, para cima, o céu, paraíso, Novo Éden, e tudo mais de paz e felicidade eternas. Para baixo... Bom... Se for para lá, vai descobrir, sobre suas roupas, ficaram em seu túmulo, sem nada você veio ao mundo, e assim saiu dele.

-Eu morri?!

-Sim.

-Como?

-Não recebo essas informações aqui, mas logo você vai se lembrar de tudo, aliás, toda sua vida, disso pode ter certeza.

Embora estivesse com medo, a alma foi para o elevador, conduzida pelo que parecia ser uma força invisível, mais forte que sua vontade.

-Ei, não tem botões, só uma seta para cima, e outra para baixo.

-Não se preocupe, o elevador é comandado pelo peso.

-Como assim?

-Se como alma você estiver leve, ele sobe, se estiver pesada, ele desce.

Ela entrou, e as portas fecharam suavemente, em pouco tempo o elevador voltou, as portas abriram, e saiu um fedor de enxofre com carniça, fumaça, e cinzas, e o eco de um grito desesperado...

-Ai, ai, vou ter que desinfetar de novo.

Ele tirou de baixo da mesa uma tina dourada, cheia de uma água muito cristalina, com uma grande esponja dentro, um rodo de madeira de carvalho, e um pano de limpeza muito alvo, em pouco tempo o elevador estava brilhando.

Logo chegou outra alma, mesmas perguntas, mesmas respostas, só que esta, entrou no elevador sem medo, após agradecer pelas informações.
Igualmente rápido, o elevador voltou, as portas abriram, saiu um delicioso cheiro de orvalho perfumado sobre as folhas e frutos da Árvore da Vida.

-Nossa, que delícia!  Pena que passa tão rápido aqui, aliás, tinha um tempinho que ninguém subia.



Aleen Van Euller
Enviado por Aleen Van Euller em 21/01/2026
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